Web Summit celebrou a volta dos encontros, diz CEO da VCRP Brasil

Em entrevista, Vinícius Cordoni conta o que viu durante o maior evento de tecnologia do mundo

Quase dois anos desde a sua última edição presencial, o Web Summit, considerado o maior evento de tecnologia do mundo, voltou a receber público de forma presencial no início de novembro. Das mais de 42 mil pessoas presentes, de 128 países, entre 748 palestrantes, 1.519 startups e 872 investidores, 50,5% eram mulheres – um feito para um setor que ainda tem uma presença majoritariamente masculina.

“E com a vacinação avançada em boa parte do mundo, as palestras e discussões em Lisboa, em Portugal, marcaram a volta das conexões com grande entusiasmo”, conta o CEO da VCRP Brasil, Vinícius Cordoni. Ele acompanhou in loco a cerimônia o evento entre os dias 1 a 4 deste mês. “O que o CEO de uma empresa vai dizer, é possível encontrar no ambiente online ou em uma palestra no YouTube. O que, de fato, fez o evento ser mágico foi a volta dos encontros”, afirma. Confira a entrevista completa.

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Por conta da pandemia, o Web Summit teve um hiato de dois anos desde a última edição. O que foi possível observar na volta do evento presencial?

É óbvio que todos gostam de trabalhar no conforto de suas casas, que foi necessário todo mundo ficar recluso por conta da pandemia. Não foi algo que todos queriam. Por isso, o Web Summit, para o ecossistema, mostrou a retomada das conexões. É um evento muito rico e interessante para ouvir o que as pessoas falam nos painéis sobre as tendências no mundo da tecnologia. Entretanto, o que o CEO ou empreendedor de uma empresa vai dizer, é possível encontrar no ambiente online ou em uma palestra no YouTube. O que, de fato, fez o evento ser mágico foi a volta dos encontros. 

Na prática, como funciona essa dinâmica?

O Web Summit é um evento fixo de quatro dias, com palestras simultâneas, por diferentes áreas, de startups, fundos de investimento e demais empresas em exposição. O que ninguém sabe é que, nos eventos paralelos, as conexões que rolam por fora são muito ricas. Para o setor de tecnologia, o Web Summit é a ponta do Iceberg.

Estando em Lisboa, pude conhecer dois unicórnios: a Farfetch (de moda de luxo) e a OutSystems (de programação), que aqui não são tão fortes, e que só lá o pessoal conhece. Pude ver de perto a Associação de Fintechs de Portugal e ver como nós estamos em relação a eles. Então, foi um marco para essa retomada da conexão corporativa. 

Portugal é um país que enfrenta dificuldades pela falta de indústrias. Por outro lado, há um esforço dos lusitanos para fazer do país um dos pólos de inovação e empreendedorismo na Europa. Como tem sido esse processo?

Lisboa é uma cidade que se fala muito em tecnologia, que tem uma ânsia por esse viés tecnológico, mas que ainda não está totalmente estruturada para tecnologia e inovação. Para fazer um paralelo, temos no Brasil um número muito maior de startups e unicórnios. A mão de obra do brasileiro também é muito bem quista em Portugal e eles têm essa vantagem de pagar em euro.

O que Portugal vem fazendo é investir em eventos como este e em universidades e formação, como a Nova Business School. Para que cada vez mais as empresas e o berço da tecnologia possam ser instalados lá. Ainda é um caminho longo a percorrer, ainda há muito a ser feito. Mas isso já está em curso. Nas minhas conversas por lá, tanto no mercado de comunicação quanto no de tecnologia, a mão de obra brasileira é muito desejada. 

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Existe a possibilidade do Web Summit acontecer no Rio de Janeiro em 2023. O que o Brasil, que tem um ecossistema de inovação muito mais robusto, pode replicar de positivo por aqui?

Do ponto de vista de startups e tecnologia, nós somos um país barato para qualquer fundo de venture capital do mundo. A gente sempre acha que a grama do vizinho é mais verde. Mas, hoje, temos um ambiente totalmente propício, o país respira tecnologia. O Brasil é um dos países que mais têm polos de tecnologia espalhados internamente. Os empreendedores não são mais reféns de São Paulo. Em Florianópolis (SC), tem a ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia). Em São José dos Campos (SP), existem centros de desenvolvimento e pesquisa como o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). Atualmente, cada estado já tem o seu centro de inovação. 

Então, nós temos um número infinitamente maior de startups, estamos mais propensos a receber investimentos, dispomos de número muito maior de unicórnios e cases de empresas que deram certo. Seja pela quantidade de investimentos, mão de obra qualificada e pelas soluções, o Brasil é um dos países que mais movimenta esse mercado no mundo. Embora tenha muitas coisas que dificultem esse caminho, há muitos aspectos positivos por aqui. Ao encontrar esse equilíbrio entre o lado bom e o que pode ser melhorado, é possível fazer um bom evento.

Como você avalia a presença de mais mulheres em Lisboa?

Foi o primeiro Web Summit da história em que tivemos mais mulheres do que homens. Para mim, esta é a maior curiosidade. Estavam presentes muitas startups lideradas por mulheres, o que vem quebrando o status quo do segmento da tecnologia. Se a gente olhasse há 10 anos para as áreas de tecnologia, engenharia e financeira, era um ambiente dominado por homens. Hoje, já é um pouquinho mais diferente. O fato do principal evento de tecnologia do mundo ter mais mulheres, é importante. Mas, é lógico que ainda está longe. Não basta apenas ter espaço e mais mulheres. 

Você comentou que a mão de obra brasileira é desejada no exterior. Como a demanda elevada por profissionais movimenta o setor?

Com o crescimento do número de startups no Brasil e no mundo e mais investimentos de fundos de venture capital, essa escassez de mão de obra pode ser ainda maior. Se a gente olha para a imprensa brasileira, todos os dias as empresas abrem vagas. E, de 100 novas posições, 70% são para desenvolvedores. Então, o nosso material humano não só do Brasil, mas do mundo, não vai conseguir suportar essa demanda por profissionais. 

Por isso, o que vi foi um aumento significativo de HRTechs e software houses em relação a outros eventos que eu fui. Havia quase a mesma quantidade de empresas de recursos humanos que de health. O que causa espanto, considerando que estamos em uma pandemia. 

E como o investimento em educação pode ajudar a suprir a necessidade do mercado?

Há empresas de educação focada em formar novos desenvolvedores. Não acredito que a universidade comum vai acabar. Mas vai chegar em um momento que um desenvolvedor será tão necessário que, se ele não é formado, mas sabe entregar o aplicativo do jeito que a empresa quer, ela vai colocá-lo para dentro de casa a preço de ouro. A BYJU’S (edtech indiana que chegou ao Brasil em julho), por exemplo, ensina tecnologia para crianças de 6 a 12 anos. Agora, talvez as pessoas cheguem não para aprender a programar, mas para cumprir uma espécie de protocolo.

Confira a reportagem de Vinicius Cordoni sobre o Web Summit, publicada em Isto É Dinheiro

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