Para COO da Tembici, meio de transporte mais eficiente não virá da tecnologia de veículos elétricos

Líder da Am. Latina de tecnologia para micro mobilidade, empresa cria soluções para transformar o espaço urbano. Confira entrevista com Mauricio Villar, COO e co-fundador

Uma cidade mais sustentável, com menos engarrafamentos e muito mais qualidade de vida. Esse é o objetivo da Tembici, empresa líder da América Latina de tecnologia para micro mobilidade que cria soluções para inspirar uma revolução do espaço urbano. 

A startup nasceu para mostrar o quanto a bicicleta pode facilitar nossas vidas, deixando o espaço urbano mais sustentável, agradável e seguro. A iniciativa não é nova e já faz sucesso em diversos países da Europa e na China. Por aqui, a trajetória é um pouco mais desafiadora. Antes da pandemia, por exemplo, quem andava muito a pé, principalmente nos centros comerciais e de negócios, pôde presenciar o boom das bikes e patinetes compartilhados: uma tendência americana e chinesa que chegou por aqui com tudo. De lá para cá, muita coisa mudou e algumas marcas sumiram tão rápido quanto apareceram.  

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Negócios sólidos ficaram. É o caso da Tembici, que  construiu um modelo bem definido e lucrativo. Em 2021, a  empresa conseguiu uma nova injeção de capital e já se prepara para 2022.  “As captações que fizemos têm dois momentos diferentes. A captação de série B foi focada no desenvolvimento em tecnologia, menos focado em expansão. A captação de série C vem como um complemento desse investimento em tecnologia para focar em expansão, mas o maior ainda está por vir. Vamos preparar a empresa para uma expansão mais agressiva. Veremos novidades e novas cidades a partir do começo de 2022”, conta Mauricio Villar, COO e co-fundador da empresa.

A startup promete muitas novidades para o ano que vem. Abaixo a entrevista completa:

Nos últimos anos, houve um boom de ciclovias em todo o país, que depois se estabilizou. Na pandemia, porém, andar de bicicleta foi um jeito que as pessoas encontraram para praticar atividade física e se manterem seguras. Como avalia o uso de bicicleta pelos usuários no Brasil antes e depois da pandemia?

Não poderíamos estar mais otimistas. Desde o começo de nossa trajetória, em 2009, percebemos um aumento forte do uso da bicicleta nas cidades do Brasil. Tivemos um aumento expressivo de infraestrutura cicloviária, especialmente no começo da década de 2010, o que já trouxe, também, um aumento no uso da bicicleta como meio de transporte nas cidades. 

Em São Paulo, por exemplo, ninguém imaginava o trânsito de bicicleta na Faria Lima. Duas semanas antes da pandemia, inclusive, percebemos um pico interessante de aumento expressivo de bicicletas. Foi um movimento de entender meio de transporte ao ar livre e saudável. Com a pandemia isso caiu, mas hoje percebemos a taxa de utilização na maioria dos nossos sistemas já maior do que antes da pandemia. 

Não tenho dúvidas de que, com o fim, que está se aproximando, teremos um novo boom de procura pelo uso das bicicletas nas cidades. 

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Como os aplicativos de trabalho cresceram durante a pandemia

Hoje, a Tembici opera na Argentina e também no Chile. O que o Brasil pode adotar no segmento de mobilidade urbana que já é utilizado em outros países da América Latina? Como oferecer mais segurança para os usuários?

O que não vimos acontecer no Brasil durante a pandemia foram movimentos expressivos do poder público de aumento de infraestrutura cicloviária nas cidades do Brasil.  O que vimos foram coisas pontuais e pequenas, aquém do que aconteceu em outras cidades do mundo.

Na América Latina temos exemplos como Bogotá e Buenos Aires, que aumentaram expressivamente a rede cicloviária das cidades na pandemia. Nesse sentido, o Brasil está ficando para trás, aquém das demandas que vão ocorrer e vão gerar pressão por meios alternativos, mas a infraestrutura não está acompanhando.

Mas podemos aprender muito com as soluções dadas em outros lugares, como Buenos Aires. Não necessariamente a construção de ciclovias, mais caras, mas o foco em ciclofaixas em avenidas maiores.

Apps como Waze e Google Maps contribuíram para que motoristas buscassem rotas alternativas em momentos de engarrafamento no trânsito, por exemplo. 

Como a tecnologia ainda pode contribuir para melhorar a mobilidade?

A tecnologia ajuda muito a mobilidade, mas ela sozinha não necessariamente melhora, às vezes pode até piorar. Um ponto de atenção é o movimento mundial pensando na tecnologia do carro elétrico e compartilhado, que não resolve a questão do uso do solo e dos engarrafamentos. Não é por aí que teremos cidades mais eficientes e humanas. 

Não vai ser com a tecnologia de veículos elétricos que ocupam 10m2 e 2 toneladas que teremos um meio de transporte mais eficiente. Acredito na tecnologia trazendo soluções mais leves e reais. Não precisamos entrar em uma lata de duas toneladas para andar sozinhos e isolados.

A tecnologia pode trazer maior conforto ao pedalar e, também, viabilizar outros modais, como patinetes e outras soluções. 

Em outubro de 2020, a Tembici fechou uma parceria com o IFood visando a melhora das condições de trabalho para os entregadores. Qual a avaliação sobre o IFood Pedal após mais de um ano?

O projeto com o iFood foi uma grande conquista. Já tínhamos percebido o uso da Tembici por entregadores, mas era um produto que não estava adequado para eles. A parceria veio para personalizar a solução, com a bicicleta elétrica, que permite que eles façam menos esforço. Conseguimos, também, oferecer pontos de apoio que melhoraram a localização de devolução das bicicletas, casado com as zonas quentes do iFood.

Introduzimos, também, um pilar importante do projeto, o Pedal Responsa, de treinamento e capacitação desses entregadores sobre educação no trânsito, cuidados, direitos e deveres ao pedalar. Foi um projeto de muito sucesso e passamos de 1 milhão de entregas após um ano do início do trabalho. 

Após receber US$ 47 milhões em investimentos, em junho de 2020, a Tembici captou outros US$ 80 milhões, em setembro deste ano. Como tem sido executado o projeto de expansão?

As captações têm dois momentos diferentes. A captação de série B foi focada no desenvolvimento em tecnologia, menos focado em expansão. Procuramos desenvolver soluções que melhoram nossa operação em logística, desenvolvimento de softwares internos e soluções que facilitem a experiência dos usuários. 

A captação de série C vem como um complemento desse investimento em tecnologia para focar em expansão. Mas, o maior está por vir. Vamos preparar a empresa para uma expansão mais agressiva. Veremos novidades e novas cidades a partir do começo de 2022.

Quais as diferenças na atuação de mercado entre cidades com geografias distintas, como São Paulo e Rio de Janeiro?

Diferença entre as cidades não é só digital, de aplicativo ou rede social. Cada cidade tem sua peculiaridade, um jeito diferente. O Rio de Janeiro, Vila Velha, Salvador e Pernambuco têm orlas que as pessoas usam as bicicletas como instrumentos de lazer.

Há cidades mais cosmopolitas como São Paulo ou Santiago, que as pessoas usam a bicicleta como instrumento de trabalho ou transporte. Cada cidade, cada bairro tem um desafio diferente.

Com 16 mil bicicletas elétricas, a expectativa é que a empresa tenha mais 10 mil bikes até o segundo semestre de 2021. Neste sentido, as bikes elétricas passam a ter mais importância na estratégia de crescimento? Por quê?

Temos um projeto do iFood que vai passar a ter 2,5 mil bicicletas elétricas e temos outros projetos na boca do gol para anunciarmos na América Latina.

Vale ressaltar que a bicicleta elétrica que trabalhamos não tem acelerador, não é uma moto. Ela é uma bicicleta de pedal assistido, sustentável, saudável, mas que facilita nas subidas, no relevo e distâncias mais longas. A bicicleta elétrica abre as portas para um público maior, fazendo com que mais pessoas experimentem as bicicletas como meio de transporte. 

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