Open Finance: conheça as oportunidades e benefícios do sistema financeiro aberto

O uso de dados pelos clientes para o acesso a melhores produtos e serviços tem sido a bola da vez no mercado

Pix, Sandbox Regulatório, Open Banking. Nos anos recentes, as novidades colocadas em jogo pelo Banco Central transformaram de forma drástica a relação das pessoas com o dinheiro e o modo como elas têm acesso a produtos e serviços, afetando toda a indústria financeira. 

Erros aqui e acolá, as mudanças vêm sendo bem recebidas por consumidores, que por anos a fio buscaram soluções mais baratas e personalizadas para as necessidades do dia a dia. Falando especificamente do Open Banking (agora Open Finance), a proposta estava limitada às fintechs, os bancos tradicionais ou os neobanks. 

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Thiago Saldanha, CTO da Sinqia, empresa líder em desenvolvimento de software para o sistema financeiro, explica que o modelo oferece ao consumidor a oportunidade de usar seus dados para ter acesso a taxas mais competitivas.

“Com dados mais acessíveis, as empresas conseguem atrair novos clientes fornecendo produtos e serviços personalizados de acordo com o perfil e histórico de cada cliente”, afirma. “Em um mundo de dados abertos, ganha quem investe na usabilidade e personalização”, completa.

E há grandes expectativas para 2022. No dia 2 de fevereiro, o sistema financeiro aberto completou 1 ano de existência com importantes avanços. Na primeira etapa estabelecida pelo Banco Central, no início de 2021, o foco das instituições foi na disponibilização de informações padronizadas ao público. 

Depois, em agosto, as pessoas passaram a poder compartilhar esses dados entre diferentes bancos e a receber ofertas de produtos de acordo com o seu histórico financeiro. Na Fase 3, já em outubro, o Open Banking foi integrado ao Pix, oferecendo o meio instantâneo como uma forma de pagamentos para empresas. 

A última etapa, em meados de dezembro, transformou o Open Banking em Open Finance. 

Dessa maneira, players como corretoras, gestoras de investimentos, adquirentes (maquininhas de cartões), empresas de câmbio e de produtos de previdência elevam a dimensão do ecossistema para outro patamar. Todavia, ao menos por hora, os clientes não podem usufruir de todos os produtos desses diferentes players, o que acontecerá ao longo deste ano.

Mas há muito a ser feito. Segundo pesquisa da consultoria global Bain & Company, realizada entre julho e setembro, e divulgada em dezembro, apenas 14% sabem o que é o Open Banking. E não é só entre as pessoas de menor poder aquisitivo: apenas 26% dos brasileiros de alta renda entendem como o modelo funciona.

A sensação no mercado é que o modelo pode ganhar tração de forma gradativa. O entendimento é que o sistema é recente e que leva um tempo até os consumidores perceberem os seus benefícios diretos, diferente do Pix, que teve impacto imediato, por exemplo.

O próprio presidente do BC, Roberto Campos Neto, tem uma opinião similar. Ao jornal Valor Econômico, o economista responsável por dirigir a autoridade monetária afirmou que o Open Banking não tem efeitos instantâneos, mas leva um tempo para ganhar aderência.

Em 2022, por exemplo, as implementações acontecem a partir de março. Após a obtenção das certificações, em dezembro, o registro dos participantes a respeito das APIs de produtos e serviços têm as seguintes datas:

Até 4 de março: seguros, previdência complementar aberta e capitalização;

Até 11 de março: serviços de credenciamento e arranjos de pagamentos;

Até 18 de março: operações de câmbio;

Até 25 de março: contas de depósito a prazo e outros produtos com natureza de investimento.

Para o coordenador do grupo de trabalho de Open Banking da ABFIntechs (Associação Brasileira de Fintechs), Rogerio Melfi, o Open Finance, sistema financeiro mais aberto, ainda está em processo de evolução. Ele destaca o potencial de inovação desse ambiente. “É concorrência, mas é uma concorrência ainda com muitas oportunidades, com muitos clientes fora do ecossistema. São pessoas que precisam de crédito e investimento”, diz. 

No plano de fundo de serviços financeiros mais baratos e acessíveis e ofertados em formato digital, está a inclusão financeira, um dos grandes benefícios, de acordo com o especialista. “Como é mais barato e eficiente, o consumidor é o maior beneficiado”, diz.

E são muitos ganhos. Melfi reitera que o incentivo ao aumento da concorrência é um deles. O cliente pode compartilhar seus dados para ter acesso a um produto mais alinhado às suas necessidades e condições financeiras. 

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“Logo, em um mercado de concorrência ideal, a própria instituição ‘A’ (onde o consumidor tem conta), antes mesmo que ele compartilhe os dados e seja ‘ameaçado’, já oferece um produto mais adequado para não correr o risco de perdê-lo para a instituição ‘B’ (de mercado)”, diz o porta-voz da ABFintechs.

O pensamento faz sentido. Um outro levantamento, desta vez realizado pela plataforma Quanto, em parceria com a Aster Capital, aponta que 65% dos brasileiros estariam dispostos a fornecer seus dados para ter acesso a melhores taxas sobre um serviço contratado.

Outras informações do estudo explicam, também, que o nível de relacionamento e a satisfação com os serviços são componentes importantes para que os clientes estejam dispostos a fornecer suas informações. “Neste cenário, o atendimento ao cliente também deve melhorar para evitar que ele busque outra empresa no mercado”, afirma Melfi.

Além disso, as transações tendem a ser cada vez mais digitais, eliminando burocracias que antes eram naturais no dia a dia. “Aquela operação que depende do deslocamento do cliente, como o envio de um documento, poderá ser substituída caso  outra instituição ofereça essa jornada de forma digital. E nesse caso o consumidor simplesmente troca de banco”, completa.

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