IPO brasileiro em solo americano: por que estamos abrindo capital fora do país?

Nos últimos meses, diversos nomes conhecidos do mercado brasileiro resolveram abrir capital nos Estados Unidos. Por quê?

Empresa brasileira, mercado americano. Essa vem sendo a tônica de muitas ofertas iniciais de ações (IPO) de empresas nacionais, que buscam o mercado acionário americano para aumentar sua capitalização.

O movimento pode parecer estranho diante da realidade brasileira, afinal, a B3 vem ganhando território, além de estar se tornando um investimento cada vez mais comum no país.

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Porém, grandes empresas que querem abrir capital parecem pouco se importar com o novo momento da B3, focando seus esforços em serem listadas nas bolsas americanas, como a de Nova York ou Nasdaq. Localweb, Banco Inter, Stone e Lojas Americanas são alguns dos exemplos de empresas que abriram capital no exterior, mesmo tendo grande parte de sua atuação no Brasil.

Outra big company que pode realizar a mudança é a Natura que, apesar de listada na B3, avalia a possibilidade de migrar para o mercado americano. A justificativa da empresa é que 70% de sua receita vem de fora do Brasil, principalmente agora que marcas americanas como The Body Shop e Avon fazem parte de seu portfólio. 

“Após a recente reestruturação de capital bem-sucedida, que acreditamos posicionar o grupo para obter o grau de investimento em um futuro próximo, a potencial reorganização societária seria uma nova etapa do planejamento estratégico para continuar a acessar os mercados e investidores globais”, justificou a Natura em fato relevante.

Da frase acima, é preciso destacar o termo “reorganização societária” e explicar qual a relação disso com a mudança para os Estados Unidos.

Super shares

O mercado acionário americano e brasileiro tem suas diferenças e, uma das principais, são as super shares, ações negociadas em bolsa que garantem mais do que um voto no conselho administrativo. Diferente das ações ordinárias da B3, em que uma ação é igual a um voto, as super shares garantem que pessoas com o mesmo número de ações tenham poderes diferentes nas assembleias das companhias.

Isso é interessante para empresas, especialmente àquelas que buscam maior alavancagem, pois podem fazer com que seus sócios fundadores ou diretores tenham seu valor financeiro diluído sem abrir mão do poder decisório.

A B3 já está ciente das vantagens das super shares e estuda a criação de mecanismo similar no Brasil, chamado Ação Plural. Pelas regras da bolsa brasileira, a nova classe de ativos estará restrita a empresas de capital fechado ou aquelas de capital aberto “cujas ações ainda não foram negociadas em mercados organizados”. Em outras palavras, elas poderão ser negociadas em caso de IPO de empresas. O voto plural não poderá ser criado em empresas já listadas.

“O espaço para coexistência de estruturas distintas de governança é um sinal de maturidade do mercado brasileiro. Podemos abrir espaço para empresas que querem uma estrutura de governança que dê um papel especial ao dono ou fundador e isso será avaliado no processo de precificação da companhia. Assim, podemos ter estruturas de controle e governança diferentes, as quais serão analisadas e avaliadas pelos investidores”, explicou Flávia Mouta, diretora de Emissores da B3.

A busca pelas super shares americanas também tem outra razão, essa mais ligada à saúde financeira de empresas, especialmente as de tecnologia: esses ativos buscam aumentar a rentabilidade e alavancagem das companhias atraindo mais investidores, que nos Estados Unidos agem de maneira diferente do que no Brasil.

Tolerância aos (maus) resultados

Ao ir para os Estados Unidos, empresas brasileiras não buscam apenas um mercado maior, mas também investidores mais conscientes do que significam os resultados de uma empresa.

“Veja o exemplo da Amazon que, por anos, priorizou fluxo de caixa futuro a fluxo de caixa presente”, exemplifica Rodrigo Lima, analista de investimentos e editor de conteúdos da Stake, plataforma de investimentos que permite a estrangeiros investir na Bolsa americana. 

O analista completa: “Jeff Bezos já foi criticado por não focar em lucratividade. Ele chegou a escrever em cartas para investidores há 10 anos que sempre que a Amazon puder priorizar o fluxo de caixa futuro em detrimento do presente, vai fazer isso. Muitas vezes a Amazon tinha receita considerável e optava por não distribuir o montante, realizando o reinvestimento. A estratégia se mostrou um sucesso”. 

Lima ainda explica que, além de ter um mercado acionário com investidores experientes, o mercado americano tem outra vantagem: o custo do dinheiro. Enquanto no Brasil estamos apenas nos últimos anos abaixando nossa taxa básica de juros, nos Estados Unidos ela está em patamar abaixo do brasileiro há décadas. 

“O custo baixo de capital aumenta a tolerância a empresas que demoram a apresentar resultados. Isso é muito importante para empresas de tecnologia, que costumam ter como característica o alto grau de escalabilidade e alto custo para obter bons profissionais. Por conta disso muitas delas buscam o mercado americano,” finaliza Lima.

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