ABFintechs: aportes devem continuar elevados, mas fundos vão repensar tamanho das rodadas

Renan Shaefer comenta o momento da indústria de venture capital, lista as oportunidades para as startups do setor financeiro e avalia as tendências nos próximos anos

Se a pandemia de Covid-19 prejudicou as empresas da economia real, reduziu empregos e trouxe desajustes às cadeias globais de produção, o mesmo não se pode dizer do segmento de venture capital. Segundo dados da plataforma de inovação Distrito, 2021 foi o melhor ano das novatas. No período, as startups receberam US$ 9,43 bilhões, mais do que o dobro do volume do ano anterior, quando alcançaram US$ 3,55 bilhões.

Desde sempre, as fintechs lideram a corrida por aportes, a busca por novas tecnologias e o desenvolvimento de produtos e serviços que possam gerar o acesso e a inclusão de mais pessoas no mercado. Dessa maneira, as empresas do setor financeiro lideraram os investimentos em inovação: foram US$ 3,7 bilhões de dólares – superando todos os aportes em 2020.

O ano de 2021 foi considerado o melhor da história tanto para o setor de venture, quanto para as fintechs. Esse volume de capital deve se manter em 2022?

Renan Shaefer: Penso que sim. Mesmo com o fator eleições e, agora, em um momento de guerra, temos também um problema com o [desajuste do] câmbio que ainda deve favorecer. Vivemos um período de turbulência em que já vemos o dinheiro saindo de ativos de risco e indo para lugares mais seguros.

Há uma realocação dos recursos em países emergentes, caso do Brasil. Em tecnologia, o país tem sido um ‘hot spot’ bastante interessante. A gente tem sido um dos principais players em tecnologia e um dos principais formadores de unicórnios nos últimos anos, principalmente na América Latina.

Devemos notar um grande fluxo de fintechs recebendo investimentos, principalmente pela concentração de serviços financeiros e de crédito. Elas entram no mercado para competir tanto no aspecto de inovação da cadeia financeira, mas também para trazer um pouco mais de competição para o mercado financeiro como um todo.

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As startups estão cada vez mais encurtando o tempo entre as rodadas e recebendo mais investimentos em etapas prematuras. Estamos caminhando para uma bolha?

Renan Shaefer: Acho que bolha é um termo muito pesado. Mas devemos ter, de fato, algum tipo de ajuste. Não sei se veremos os valuations homéricos, como no passado. Temos visto até marcações a mercado (atualização dos valores) sobre as empresas que estão recebendo investimentos. A Tiger Global, que é um dos principais veículos de venture capital e private equity, começou a marcar a mercado para baixo no valor das investidas.

Uma empresa que valia mais de bilhão passa a valer milhares de dólares, até por uma questão de competição de cheques. Uma coisa que ouço bastante é que há muitas empresas no mercado mas que faltam bons projetos. Talvez os empreendedores estejam buscando investimento a qualquer custo, sem os projetos que os investidores estão buscando. 

Muita gente está reavaliando os valuations e os volumes das rodadas. Há muitas coisas que têm um ritmo acelerado de investimentos. Isso é bom, mas traz algumas distorções. Estamos vivendo um momento de correção desses desvios.

No caso específico das fintechs, há muitas empresas surgindo ou vindo do exterior para atender às PMEs. Há espaço para tantos players?

Renan Shaefer: Sim. A concentração no mercado financeiro ainda é grande. De forma geral, a experiência de usuário e os serviços financeiros no Brasil são péssimos. Nós temos visto bancos, startups e fintechs que oferecem uma experiência minimamente melhor e crescem de forma exponencial. 

Há oportunidades de mercado desde a inserção de novas tecnologias para agilizar o processo até uma jornada de compra diferenciada. Não é só uma questão de companhias latinoamericanas, mas as empresas estão fazendo o caminho inverso: normalmente são brasileiras que começam a explorar a América Latina. 

Agora é diferente. Esse é o caminho das empresas latinoamericanas, como das mexicanas Clara (fintech) e Kavak (de carros seminovos) – ambas chegaram ao Brasil nos últimos anos. Existe muita similaridade de mercado entre os países. Então, o Brasil acaba sendo um centro importante para essa galera explorar.  

A língua não é uma barreira tão grande, a economia e a população são gigantes. No lugar dessas empresas, eu também faria esse movimento. Até porque boa parte dos fundos, como Kaszek e Monashees, operam de forma Latam e fazem esse percurso de internacionalização.

E quais as tendências que podem despontar para as fintechs nos próximos anos?

Renan Shaefer: Acho um pouco delicado apontar tendências, mas devemos ter muita coisa em Web 3.0, descentralização, blockchain, NFTs e metaverso. Há muitas tecnologias surgindo e há muito espaço no crédito entre pessoas físicas e jurídicas. A experiência dos serviços financeiros ainda é muito ruim. Então, existem brechas nas operações crédito e em câmbio, ou mesmo para a abertura de conta e emissão de cartões para as companhias que estão começando.

Com o Banking as a Service, os bancos digitais podem evoluir muito. Também existe grande necessidade de infraestrutura e cibersegurança na indústria financeira, o que abre espaço para empresas atuarem em outras etapas da cadeia. 

De forma específica, podemos falar dos desbancarizados (segundo o Banco Central, cerca de 17,3 milhões de pessoas passaram a ter acesso a serviços financeiros na pandemia, totalizando 183 milhões de brasileiros). Vimos o movimento importante da Caixa em relação ao pagamento de benefícios durante o isolamento social pela Covid-19. Essas pessoas também precisam de assistência. 

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