Acelerar ou desenvolver? Grandes empresas e startups estão cada vez mais conectadas

Cada vez mais o conceito de Corporate Venture Capital (CVC), em que empresas de grande porte criam seus próprios hubs de inovação e investimentos para fortalecer o ecossistema pré-existente
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Agilidade já deixou de ser um item opcional na cultura de uma grande empresa. Isso não quer dizer, necessariamente, que uma companhia  precisa ter sempre o desenvolvimento de soluções e serviços mais rápido do mercado. O timing ajuda, é claro, mas este processo tem principalmente a ver com o fortalecimento de uma cultura.

Trata-se do estabelecimento de uma pauta de inovação, buscando agregar valor aos produtos já oferecidos pela marca e disruptar o mercado com novas ferramentas, o que pode ser feito através do desenvolvimento interno de recursos ou com o investimento de plataformas em crescimento.

Nessa linha, avança cada vez mais o conceito de Corporate Venture Capital (CVC), em que empresas de grande porte criam seus próprios hubs de inovação e investimentos para fortalecer o ecossistema pré-existente na companhia ou mirar novas avenidas de crescimento (talvez seja a grande diferença para um VC comum: a motivação estratégica por trás dos negócios, para além da financeira).

Um estudo de 2020 da consultoria CB Insights aponta justamente para o crescimento do mercado de CVCs, que movimentou US$ 57,1 bi em 2019 contra US$ 17,9 bi em 2014, avanço de 218,9% (a participação do Brasil correspondia a cerca de US$ 157 milhões em 2019, mostram dados do Distrito Dataminer). Do total, US$ 10,6 bi, ou 18,5%, foram levantados por iniciativas de inteligência artificial.

Também chama atenção o fato de que, enquanto os números gerais crescem, os aportes para empresas da China e do Silicon Valley, nos EUA, vem diminuindo em proporção. O movimento mostra, pelo menos por parte das multinacionais, uma busca por produtos de mercados menos explorados, como o brasilieiro.

O relatório Corporate Venture Capital 2020, elaborado pelo Distrito em parceria com a Valetec Capital, mostra que o caminho já está sendo trilhado. 65,8% das iniciativas do gênero foram realizadas por companhias multinacionais com operações locais, contra 34,2% de empresas brasileiras.

Aqui entram empresas como a Visa, com o seu Programa de Aceleração, e a Telefónica, dona da Vivo, que possui o hub de inovação Wayra. A segunda, inclusive, existe desde 2012 por aqui e já apoiou mais de 75 empresas como a Gupy, que hoje é responsável por todo programa de recrutamento da Vivo.  

Já em termos setoriais, e para a surpresa de ninguém, os setores financeiro (17,8%), varejo (16,4%) e tecnologia (15,1%) lideram os volumes de investimentos. No entanto, os últimos anos também têm propiciado o avanço de outros segmentos, como o de saúde, que já representa 8,2% do bolo. Na outra ponta, fintechs e adtechs se destacaram nas preferências das corporações. 

E na prática? O exemplo da Gupy e da Vivo nos mostra algo importante. Especialistas ressaltam que os esforços das grandes empresas costumam estar sempre conectados com os KPIs, ou indicadores-chave de desempenho da companhia, já mirando um crescimento em áreas específicas.

Mesmo assim, isso não quer dizer que todas iniciativas apoiadas precisam necessariamente atender o core business da companhia. Não por acaso, soluções financeiras, de logística, de tecnologia são buscadas essencialmente por todos, já que ajudam a fortalecer o negócio em diversas frentes.

A CashMe, startup gestada dentro da incorporadora e construtora Cyrela, mostra exatamente o processo. Trata-se de uma fintech, hoje subsidiária da companhia principal, que realiza empréstimos para outras construtoras, para condomínios e também para pessoas físicas, utilizando imóveis como garantia.

Mas além de gestar empresas internamente, outra forma bastante utilizada no meio é o investimento em startups em estágios iniciais de sua caminhada. Dados do Distrito mostram que cerca de 74% dos aportes de CVCs no país foram para companhias ainda neste processo de amadurecimento.

O que não quer dizer, mostra ainda a pesquisa, que estes investimentos vão necessariamente se transformar numa incorporação completa das startups pelas grandes. Pelo contrário, apenas 20% das empresas investidas acabam sendo adquiridas completamente. 

A conclusão a que se chega é que não existe receita de bolo. A partir da necessidade de empreender e buscar novas soluções, o que é imperativo, companhias de grande porte possuem vários caminhos para fazer com que as demandas atuais sejam atendidas e que novas ofertas sejam desenvolvidas.

Quem não se lembra, por exemplo, da parceria entre o Banco Votorantim e o Neon? Banco tradicional e fintech se juntando para tirar o melhor das duas plataformas. Ou do Next, criado pelo Bradesco para atacar o mesmo mercado? Há sempre mais de uma forma de conquistar o resultado pretendido.

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