“A OMS estima que 90% da população sofra com o estresse”, diz Rui Brandão, fundador do Zenklub

Em entrevista exclusiva o executivo fala sobre a importância da saúde mental no trabalho e indica como lidar com os crescentes casos de burnout

O esgotamento físico e mental é, infelizmente, um assunto em voga no mercado de trabalho, diante do crescimento expressivo de pessoas que sofrem com o problema.  O quadro, conhecido como burnout, foi incluído na Classificação Internacional de Doenças (CID) da OMS e passou a ser considerado uma síndrome ocupacional a partir de janeiro deste ano.

O Zenklub nasceu justamente para tentar ajudar quem enfrenta esse problema. Foi após ver sua mãe sofrendo com o burnout, em 2016, que Rui Brandão resolveu fundar a empresa. Em suas pesquisas ele percebeu que existem diversas especializações na saúde para lidar com o quadro e resolveu criar uma solução que olhasse especificamente para esse tema, mesmo que ele ainda fosse um grande tabu na época. 

Uma das inovações do Zenklub foi a criação, junto com psicólogos e educadores, do Índice de Bem-Estar Corporativo (IBC), que permite às empresas traçarem um panorama da saúde mental de seus funcionários.

Hoje, a empresa impacta 1,5 milhão de pessoas por mês e atende mais de 350 companhias, entre elas Ambev, Qualicorp, Tecnisa, Loggi e Natura. A plataforma oferece sessões online com mais de 5 mil psicólogos, psicanalistas, coaches e terapeutas, além de conteúdos em texto, áudio, vídeo e diversas outras ferramentas em seu aplicativo. 

Para falar sobre saúde mental no ambiente de trabalho, entrevistamos Rui Brandão, CEO do Zenklub. Confira entrevista exclusiva:

O que significa a nova classificação da OMS de reconhecer o burnout como uma síndrome ocupacional? 

Rui Brandão: Questões relacionadas à saúde mental sempre foram carregadas de estigmas para as empresas e funcionários. A classificação é importante sobretudo para a comunicação entre profissionais, médicos, colaboradores e sociedade. Agora, há um transtorno sobre o qual a gente consegue falar e identificar os sintomas. 

Na prática, o que muda para as empresas?

Rui Brandão: Agora que o burnout foi oficialmente categorizado como uma síndrome ocupacional pela OMS, as companhias passam a ter responsabilidades direta e indireta pela saúde emocional de seus colaboradores. Diante disso, será essencial um olhar para as causas e riscos do burnout no gerenciamento da saúde e segurança do trabalho. 

O Índice Geral de Bem-Estar Corporativo do mercado brasileiro ainda é médio – 49,25, bem abaixo do ideal, 78 e ainda trouxe um alerta em relação ao burnout. O que explica esses números? 

Rui Brandão: Acredito que o principal fator desse resultado é a falta de indicadores que fossem capazes de identificar o adoecimento e as necessidades/oportunidades de melhorias ligadas à saúde mental e bem-estar dos colaboradores. É fundamental trazer a clareza para realizar uma transformação.

Outro ponto a se considerar é que poucas empresas possuem uma cultura empresarial voltada para o bem-estar do indivíduo. Por muito tempo o mercado de trabalho olhava e reconhecia pessoas por práticas e processos braçais e repetitivos e as formas de trabalhar não evoluíram muito. Somado a isso, há o estigma sobre a saúde mental, tanto do lado do colaborador, que não se sente seguro para falar sobre o tema, quanto da falta de preparo da liderança e, por muitas vezes, do próprio RH para identificar, acolher e tratar casos. 

Como a chegada da pandemia impactou a saúde mental do trabalhador brasileiro? 

Rui Brandão: A pandemia acelerou dois formatos de trabalho que já estavam em processo de crescimento no Brasil: o home office e o modelo híbrido. Com isso, os psicólogos perceberam um aumento na procura e nas queixas relacionadas ao trabalho – liderança, estresse, desgaste e, claro, burnout.  Dados do Zenklub apontam que o número de consultas online cresceu 151% no 1º semestre de 2021, ante o mesmo período do ano passado, saltando para 50 mil sessões realizadas por mês. Já as sessões de terapia que têm como tema o burnout tiveram um aumento de 1397% quando comparamos o 1º semestre de 2020 com o mesmo período de 2021.

Um fator crucial para justificar esse cenário é que, de certa forma, o funcionário dorme no “local de trabalho”. Ficou difícil separar o expediente do restante da rotina, a vida pessoal da profissional, o que provocou estresse em muitas pessoas. O home office dificulta o intervalo de descanso e alívio, potencializando a exaustão tanto física quanto emocional. 

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O que está ao alcance das empresas para melhorar esse cenário?

Rui Brandão: Com o aumento de casos de ansiedade, estafa e depressão no ambiente corporativo, especialmente com a chegada da pandemia e todas as mudanças que a mesma acarretou, as empresas passaram a olhar com mais atenção para o assunto. No entanto, apesar desse movimento, a maioria das companhias ainda está aprendendo com o tema, que sempre foi pouco tangível. Em contrapartida, faltavam ferramentas para deixar esse cenário mais tangível e trazer um panorama da saúde mental dos colaboradores com base em dados para trabalhar não só com diagnóstico e tratamento, mas também como prevenção. O IBC vem com a proposta de ser esse instrumento que se faz tão necessário. 

Como o Zenklub pode ajudar as empresas e os colaboradores? 

Rui Brandão: Hoje, nossos mais de 350 clientes têm à disposição uma metodologia para construir uma estratégia de saúde mental sólida capaz de gerar resultados para o indivíduo e para as empresas. Ela é baseada em 4 pilares: 

a) Mapeamento organizacional: instrumentos capazes de diagnosticar como está a saúde física e mental do colaborador e como as práticas adotadas pela empresa contribuem para o bem-estar do indivíduo.

b) Elaboração do plano de ação: depois de ter um diagnóstico claro é importante que a empresa tenha uma estratégia que entregue para o colaborador, o RH e as lideranças, ferramentas de educação e desenvolvimento, serviços de saúde mental e bem-estar, além de indicadores que mostrem a efetividade do plano. 

c) Implementação das estratégias: contar com um parceiro operacional especializado e ferramentas tecnológicas, que tornem o plano de ação escalável para garantir o alcance e engajamento de todo o time.

d) Mensuração contínua: é crucial que haja o acompanhamento contínuo do impacto da estratégia. Nossa ferramenta mapeia toda a jornada do colaborador e avalia constantemente sua evolução, para buscar a prevenção e o desenvolvimento pessoal e profissional do indivíduo. 

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